Sediada em Florianópolis e fundada em 2019 pelo gaúcho Paulo Silva, a Franq construiu sua tese em torno de uma virada cultural no varejo bancário: a saída em massa de profissionais de grandes bancos e o avanço do fechamento de agências físicas. A startup desenvolveu uma plataforma digital que reúne mais de 150 produtos financeiros de mais de 50 bancos e fintechs parceiras, permitindo que ex-gerentes e assessores atuem de forma independente.
A oferta hoje cobre financiamento imobiliário, empréstimos, consórcios, seguros e crédito com garantia de imóvel. Mais de 10 mil bancários e assessores de investimentos já passaram pela plataforma, com média de idade de 42 anos e exigência mínima de cinco anos de experiência no setor.
Com o novo aporte, a empresa pretende ampliar a oferta de produtos em seguros, investimentos e soluções para pessoas jurídicas, além de acelerar iniciativas de inteligência artificial e capacitação dos profissionais cadastrados, internamente chamados de "personal bankers".
A aposta em IA será central no plano de uso dos recursos. Segundo o CTO Gustavo Hartmann, a tecnologia vai automatizar tarefas como análise documental, triagem e acompanhamento de propostas, liberando os profissionais para o atendimento consultivo. A companhia também planeja criar hubs presenciais de formação.
Os números reforçam a tração da operação. A Franq encerrou 2025 com R$ 2,4 bilhões em operações originadas e cresce a um ritmo próximo de 80% ao ano. A empresa atingiu break-even operacional, mas ainda não divulga faturamento. Hoje, está entre os principais originadores de financiamento imobiliário e consórcios do país, com cerca de 200 funcionários próprios.
Os investidores da rodada já estavam no captable: Valor Capital Growth Fund, Quona Capital e Globo Ventures também participaram da Série A. A continuidade dos cheques sinaliza confiança no modelo em um momento em que o mercado brasileiro de venture capital segue mais seletivo.
Fundador da Franq, Paulo Silva acumulou passagens por Banco do Brasil, Citi, HSBC e Santander antes de lançar a startup. A ideia começou a tomar forma em 2017, após dois anos estudando modelos internacionais de consultoria financeira independente. A operação comercial foi aberta em outubro de 2019 e enfrentou os primeiros impactos da pandemia justamente no início da expansão nacional.
Fonte original: Exame — https://exame.com/negocios/startup-capta-r-70-milhoes-para-ampliar-plataforma-de-bancarios-autonomos/



