A startup americana de baterias de ferro-ar levantou US$ 750 milhões em nova rodada com T. Rowe Price, Sequoia Capital e TPG Rise Climate, acumula mais de US$ 2 bilhões desde a fundação e viu seu backlog quadruplicar para 80 gigawatts-hora em um ano.
A pergunta que separa vencedores e perdedores na corrida da inteligência artificial deixou de ser apenas quem tem o melhor modelo. Passou a ser de onde vem a energia. Data centers de IA já consomem o equivalente ao de cidades inteiras, e a resposta que atraiu quase US$ 1 bilhão em uma única rodada é um material banal: o ferro.
A Form Energy, startup americana que constrói baterias gigantes de ferro-ar capazes de descarregar energia por até 100 horas seguidas, captou US$ 750 milhões em nova rodada de financiamento, segundo apurou o jornal The New York Times. Com o aporte, a companhia ultrapassa US$ 2 bilhões levantados desde a fundação.
A tecnologia se apoia em um conceito que a própria empresa batizou de "ferrugem reversível". As baterias operam com ferro, água e ar: absorvem oxigênio e transformam o ferro em ferrugem para descarregar energia; depois invertem o processo, convertendo a ferrugem novamente em ferro e liberando oxigênio para armazenar carga.
A diferença em relação às baterias de íon-lítio é a duração. Enquanto as tradicionais entregam algumas horas de autonomia, as da Form são projetadas para 100 horas — janela suficiente para uma concessionária atravessar crises de rede que se estendem por dias, como uma tempestade de inverno.
O "e-peaker" que quer substituir a térmica a gás
O CEO e cofundador Mateo Jaramillo descreve o produto como concorrente direto das usinas termelétricas a gás conhecidas como peaker units, acionadas em poucos dias por ano, quando a demanda dispara e a rede fica no limite.
"Nós nos propusemos a comercializar o tipo de armazenamento de energia que é competitivo em todos os atributos com uma usina a gás de ponta", afirmou Jaramillo ao The New York Times. "Em várias maneiras, o que criamos é um 'e-peaker', uma peaker elétrica."
Para Vineet Khanna, analista de investimentos e vice-presidente da T. Rowe Price, a lógica econômica vai além da emergência. As baterias conseguem absorver eletricidade de usinas nucleares que seguem operando mesmo quando os preços de atacado despencam. "Quando você adiciona uma bateria de 100 horas, na verdade aumenta o valor de tudo o mais que já foi construído", disse.
Backlog quadruplica e data centers entram na fila
Os números comerciais explicam o apetite dos investidores. O backlog de projetos da Form saltou de 20 gigawatts-hora para 80 gigawatts-hora apenas neste ano.
O contrato mais relevante foi fechado com a concessionária Xcel Energy e prevê 300 megawatts em baterias para reforçar a rede e atender um data center do Google planejado para Pine Island, em Minnesota. O sistema terá capacidade de armazenar e fornecer 30 gigawatts-hora.
Entre os clientes está também a Crusoe, que constrói data centers de IA para empresas como Oracle e Meta, e que espera utilizar 12 gigawatts-hora das baterias da Form a partir de 2028. Na Europa, a desenvolvedora FuturEnergy Ireland trabalha com a startup em um sistema de ferro-ar previsto para 2029 no noroeste da Irlanda.
Os recursos da nova rodada vão para a expansão da fábrica em Weirton, na Virgínia Ocidental, e para a primeira fase dos projetos comerciais. Participaram do aporte T. Rowe Price, Sequoia Capital, Janus Henderson, Franklin Templeton, TPG Rise Climate e os investidores Dustin Moskovitz e Cari Tuna.
Fonte original: Startupi



