A fintech que nasceu como Condolivre, focada em crédito para condomínios, se reinventou após uma mudança regulatória, mudou de nome e levantou R$ 80 milhões por meio de um novo FIDC para escalar no mercado de consignado privado.
A fintech Condolivre virou FAZ Cred, ampliou seu modelo de negócio para novos setores e captou R$ 80 milhões em apenas 60 dias de operação, em uma aposta clara no aquecimento do consignado privado no Brasil. O movimento marca uma reinvenção completa da empresa, que abandonou o foco original em crédito para condomínios.
Fundada em 2021 com uma rodada seed de R$ 13 milhões, a Condolivre havia construído sua vantagem competitiva em torno do crédito para o segmento condominial. Uma nova regulação, porém, retirou boa parte desse diferencial e empurrou a startup para uma virada estratégica: a mudança de marca e a migração para o consignado privado, modalidade de crédito com desconto em folha para trabalhadores do setor privado.
Os R$ 80 milhões chegaram por meio de um novo Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), que triplicou o volume total de contratos da FAZ Cred no período. A gestora Patrimonial, responsável pelos veículos da fintech, administra cerca de R$ 1,6 bilhão em ativos e já era parceira no primeiro fundo condominial da companhia, o FAZ Cred Condolivre FIDC, que reúne aproximadamente R$ 160 milhões em carteira.
O novo fundo mira segmentos de salários mais altos, como saúde e educação. Ainda assim, o ticket médio das operações permaneceu entre R$ 1.500 e R$ 1.600, em linha com o padrão do fundo original — um sinal de que a fintech pretende ganhar escala pelo volume de contratos, e não pelo valor individual de cada operação.
A guinada acontece em meio a uma disputa acirrada no setor. O consignado privado se tornou um dos mercados mais concorridos do sistema financeiro brasileiro, com bancos e fintechs brigando por espaço em um segmento que já movimenta cifras na casa das dezenas de bilhões de reais. Nesse cenário, a velocidade de captação e a capacidade de estruturar novos FIDCs se tornam vantagens decisivas.
Para a FAZ Cred, o desafio agora é transformar o fôlego financeiro recém-conquistado em originação consistente de crédito, mantendo a inadimplência sob controle enquanto avança sobre novos setores. A rapidez com que a fintech reorganizou sua tese e voltou ao mercado com capital fresco sugere que a empresa aposta em ocupar espaço antes que a janela de crescimento do consignado privado se estreite.
Fonte original: NeoFeed — https://neofeed.com.br/startups/startup-pivota-negocio-para-surfar-boom-do-consignado-e-capta-r-80-milhoes-em-60-dias/



