A startup gaúcha criada por dois sócios de 25 anos aposta em mapas interativos e terrenos em 3D para tirar a compra de lotes do papel, literalmente. Em um mercado imobiliário que deve movimentar R$ 375 bilhões em financiamentos só em 2026, a dupla mira dobrar a base de anunciantes e crescer 150% em 2027.
A ideia do Terreno no Brasil nasceu de uma constatação simples: enquanto apartamentos e casas prontas ganharam tours virtuais, fotos profissionais e até realidade aumentada nos grandes portais, o terreno, a ponta mais antiga e mais arriscada da cadeia imobiliária, continuou sendo vendido como há trinta anos. Uma foto aérea, um "mede tal" no zap e a promessa de que "in loco fica melhor ainda".
Foi esse descompasso que levou Marcos Justin e Eduardo Evaldt, os criadores por trás da plataforma, a construir um SaaS focado exclusivamente em terrenos e lotes, um nicho que move bilhões todos os anos, mas que nunca teve um produto pensado para ele.
Dois gaúchos, um problema que ninguém tinha resolvido
Diferente das startups que nascem para atacar o mercado de imóveis prontos, já disputado por gigantes como Loft, QuintoAndar e os grandes portais,, Marcos e Eduardo escolheram um segmento que ficou para trás: o de terrenos e lotes, ainda tratado como um mercado "de confiança", movido a corretor local, cartório e visita presencial.
"Terreno é o ativo mais analógico do imobiliário brasileiro. Você compra sem conseguir ver de verdade o que está comprando, só uma planta, um croqui, uma foto de drone tirada não sei quando", resume a dupla. A resposta foi criar uma plataforma que combina inteligência artificial, mapas interativos e visualização 3D do relevo do terreno, algo que ainda não existe nos grandes portais imobiliários do país.
O que muda com o 3D: ver antes de visitar
O diferencial central do Terreno no Brasil é permitir que o comprador explore o relevo real do lote, topografia, declive, orientação solar, entorno, antes mesmo de agendar uma visita. A tese dos fundadores é direta: "quando você consegue ver o terreno antes de visitar, a decisão deixa de ser um risco, e passa a ser dado."
Na prática, isso ataca o principal ponto de atrito da compra de terrenos: a assimetria de informação entre quem vende (corretor ou imobiliária que conhece o lote) e quem compra (o consumidor, que só vai pisar naquele chão depois de já ter se interessado). Ao antecipar essa informação com tecnologia, a plataforma reduz visitas frustradas para o comprador e aumenta a taxa de conversão para o anunciante, seja ele um vendedor individual, um corretor autônomo ou uma imobiliária.
Do lado da oferta, o modelo é de marketplace dois-lados: anunciantes cadastram terrenos e lotes, com um primeiro mês gratuito como porta de entrada; compradores navegam, filtram e visualizam os lotes sem custo.
Um mercado de centenas de bilhões, ainda sem player dedicado
A aposta de Marcos e Eduardo tem lastro em números. O mercado imobiliário residencial brasileiro deve movimentar cerca de R$ 375 bilhões em financiamentos em 2026, segundo projeção da CBIC, com déficit habitacional estimado em mais de 8 milhões de unidades pelo IBGE, um indicador de que a demanda por novos terrenos e loteamentos deve seguir pressionada por anos. O segmento de loteamentos, especificamente, vive um momento de expansão puxado pela escassez de terrenos bem localizados nos grandes centros e pela migração de incorporadoras para cidades no entorno das capitais.
Apesar dessa dimensão, nenhum dos grandes portais nacionais oferece hoje uma experiência dedicada à compra de terrenos e lotes, o segmento é tratado como uma categoria secundária dentro de plataformas pensadas para imóveis prontos. É essa lacuna que os fundadores dizem estar explorando.
Próximos passos:
Depois de validar o modelo com anunciantes individuais, corretores e imobiliárias, a dupla agora estrutura parcerias institucionais com entidades do setor, CRECIs regionais, SECOVI, associações de loteadore, como forma de ganhar distribuição e credibilidade sem depender só de aquisição paga. A meta declarada é crescer 150% na base de anunciantes até 2027, apoiada em conteúdo, parcerias institucionais e um time comercial dedicado a prospectar imobiliárias em todo o país.
"O terreno sempre foi tratado como um imóvel de segunda categoria dentro dos portais. A gente aposta que ele merece, e precisa, de uma plataforma própria", afirmam os fundadores.



