Após dois anos investindo apenas pontualmente, a aceleradora catarinense retoma o modelo de turma aberta com aporte inicial de R$ 100 mil por startup e possibilidade de até R$ 1 milhão adicional ao fim do programa.
A Darwin Startups anunciou durante o Startup Summit 2026 o lançamento do Batch #15, marcando a retomada do modelo de aceleração em turma aberta depois de dois anos em que a casa passou a investir de forma pontual. A seleção fica aberta até 25 de setembro e contemplará até cinco startups em estágio inicial.
A aceleradora e hub de inovação de Santa Catarina completa 11 anos em 2026. O movimento é descrito pela própria gestão como uma volta às origens: quando começou, em 2015, a Darwin operava justamente sob a tese de identificar empreendedores em estágio inicial independentemente do setor ou de sua relação com grandes corporações.
Ao longo dos anos, porém, a operação migrou para a aproximação entre empresas e startups, com processos de seleção, investimento e geração de sinergias contratados por corporações. Com a desaceleração desse mercado, a estratégia foi revista.
Uma resposta ao inverno do venture capital
Marcos Mueller, CEO da Darwin Startups, afirma que a mudança é reação direta ao esfriamento do capital de risco e à retração dos programas de inovação corporativa. "Pensamos muito em não esperar, se antecipar a isso e fazer nosso veículo. Senão, vamos acabar esperando mais quantos anos para esse mercado retomar", disse em entrevista ao portal Startups.
Na avaliação do executivo, os fundos brasileiros também estão sob pressão para repensar suas estratégias diante da redução no número e no tamanho das operações. "E mesmo os deals que acontecem são pequenos. Então, na minha visão, os fundos vão ter que encontrar uma nova forma de alocar capital, de forma mais eficiente, para que o deal menor não prejudique a performance do fundo", observou.
Mueller aponta ainda que a seleção não se limita às startups. Em um ambiente de escassez, gestores e fundos também são testados. "Eu acho que tem uma 'seleção natural' nesses momentos de adversidade", afirmou.
Cheque germinador e 12 semanas
O Batch #15 terá tese agnóstica em relação a setores, mas bastante específica quanto ao estágio. A Darwin busca negócios ainda nos primeiros passos de construção, com aporte inicial de R$ 100 mil. Ao final das 12 semanas de aceleração, a casa poderá investir até R$ 1 milhão adicional por startup, conforme a evolução do negócio.
Mueller chama esse estágio de capital semente. "O conceito que queremos aplicar é daquele capital germinador, aquele capital que ajuda a plantar pé de uma árvore vigorosa", comparou. O argumento é que decisões dos primeiros meses — escolha de sócios, acordo societário, mercado, preço e modelo de negócio — geram consequências difíceis de reverter depois.
A aceleradora também espera um volume maior de inscrições do que em edições anteriores, justamente porque as plataformas de IA reduziram o custo de criar e testar produtos. Hipóteses que levavam meses agora podem ser exploradas em uma ou duas semanas, segundo o CEO.
Outra mudança de posicionamento é a abertura a solo founders, perfil sobre o qual a Darwin historicamente mantinha ressalvas. Agora, pesa mais a capacidade do fundador de demonstrar conhecimento profundo do problema e do mercado — e a experiência prévia no setor ganha peso na seleção.
Fonte original: Startups



