A dona do Devin fechou uma Série E liderada por Andreessen Horowitz e Accel depois de quase dobrar a receita anualizada em quatro meses. No Brasil, o Itaú usa a ferramenta para corrigir automaticamente 70% das vulnerabilidades de segurança.
A Cognition AI anunciou a captação de US$ 2 bilhões em uma rodada Série E que levou a companhia a um valuation de US$ 48 bilhões. A operação foi liderada pelos novos investidores Andreessen Horowitz e Accel, ao lado dos já presentes Founders Fund, General Catalyst e Avenir.
A lista de participantes reúne praticamente todo o andar de cima do venture capital americano. Entraram na rodada Benchmark, Bessemer, Kleiner Perkins, Greylock, Lightspeed, Altimeter, Bond Capital, T. Rowe Price, Bain Capital Ventures, Ribbit, DST e a própria NVIDIA.
O apetite dos fundos se explica pela velocidade de crescimento. Desde a rodada anterior, fechada em maio, a receita anualizada da empresa saltou de US$ 492 milhões para quase US$ 900 milhões — praticamente o dobro em pouco mais de quatro meses.
Fundada em 2024, a Cognition desenvolve o Devin, agente de inteligência artificial que a companhia apresenta como um engenheiro de software autônomo. A ferramenta já opera em times de engenharia da NVIDIA, no design de chips, da GE Aerospace, na aviação, do Citi, em serviços financeiros, da Mercedes-Benz, na indústria automotiva, e da Modal, em infraestrutura de IA.
O Brasil no mapa
A operação brasileira faz parte de uma abertura acelerada de bases no último ano. O escritório de São Paulo foi criado para atender às oportunidades na América Latina e é comandado pelo VP para a região, Diogo Tamura, ex-vice-presidente da Datadog.
O caso brasileiro mais citado pela própria empresa é o do Itaú, que corrige automaticamente 70% das vulnerabilidades de segurança identificadas em seu código com o apoio da ferramenta.
Além de São Paulo, a Cognition inaugurou operações em Washington, Tóquio, Singapura, Londres e Madri, que se somam aos hubs de São Francisco, Nova York e Austin. A justificativa apresentada pela companhia é operacional: entender os sistemas e processos de cada cliente exige presença local.
Uma disputa cara
O mercado de ferramentas de IA para código saltou de US$ 5,1 bilhões em 2024 para uma estimativa de US$ 12,8 bilhões neste ano, e os concorrentes estão igualmente capitalizados.
O caso mais extremo é o do Cursor, da Anysphere, que fechou uma Série D de US$ 2,3 bilhões a um valuation de US$ 29,3 bilhões no fim de 2025, chegou a US$ 4 bilhões de receita anualizada e acabou comprado pela SpaceX por cerca de US$ 60 bilhões, em negócio concluído em agosto.
A Replit, que já tem operação no Brasil e vem ativando o público local com créditos e parcerias, triplicou seu valuation em seis meses e captou US$ 400 milhões a US$ 9 bilhões em março. A sueca Lovable, por sua vez, chegou a US$ 6,6 bilhões de valuation e a US$ 400 milhões de receita anualizada.
Em seu blog, a Cognition afirma que o setor vive o "alvorecer da era do software autodirigido", em que os agentes serão proativos por padrão, o software vai se aprimorar sozinho e até a alocação de recursos computacionais será redistribuída automaticamente para os usos de maior impacto.
Fonte original: Startups



