Lançada há cinco meses como um AI SDR nativo do LinkedIn, a startup descobriu no meio do caminho que a automação pura tinha teto — e reposiciona o produto como plataforma de orquestração de go-to-market com IA, mantendo o time comercial no centro da operação.
O mercado brasileiro de geração de demanda B2B viveu nos últimos anos uma corrida por ferramentas de automação de prospecção no LinkedIn. A maior parte delas prometeu a mesma coisa: substituir o trabalho do SDR por um agente de inteligência artificial.
O Chattie, startup nascida dentro da agência de growth TRA, apostou nessa tese no lançamento. Cinco meses depois de começar a vender, chegou à conclusão oposta — o resultado explode quando a IA orquestra o trabalho, não quando substitui o humano.
Do AI SDR à orquestração
A virada de posicionamento veio da própria base de clientes. Em vez de reduzir a operação comercial a um agente autônomo, a empresa passou a estruturar o produto em torno do conceito de "human in the loop", em que a IA prepara, prioriza e encaminha o trabalho, mas a decisão e o relacionamento seguem com o vendedor.
"Começamos com a tese de um AI SDR, em potencial substituição da função. Mas rapidamente entendemos que 'human in the loop' destravava muito mais resultado pros nossos clientes do que automação pura", afirma Thiago Avelino, cofundador e CRO do Chattie.
"Hoje nossa tese caminha para uma Agentic GTM Platform: orquestrar todo o trabalho de GTM, identificando leads e contas estratégicas, gerenciando pipeline de oportunidades e expandindo relacionamento — com o time comercial no centro, não substituído."
Na prática, o escopo do produto deixa de ser apenas a abordagem inicial e passa a cobrir o ciclo comercial completo: identificação de contas estratégicas, gestão do funil de oportunidades e expansão de relacionamento dentro da base já conquistada.
Números em cinco meses
A tração acompanhou a mudança de rota. O Chattie soma mais de 200 empresas clientes distribuídas por sete países e alcançou R$ 100 mil em receita recorrente mensal — o equivalente a R$ 1,2 milhão em base anualizada — em cinco meses de operação comercial.
O ritmo colocou a startup no radar do mercado de capital de risco. Segundo a empresa, há sondagens de investidores desde a fundação.
Bootstrap por opção
Mesmo com o interesse, a companhia optou por seguir sem capital externo, financiando o crescimento com a própria receita. A origem dentro da TRA ajuda a explicar a escolha: a estrutura de agência deu à startup acesso a canal de distribuição e a clientes B2B antes mesmo do lançamento do produto.
O próximo capítulo passa por consolidar o reposicionamento como plataforma de GTM agêntico em um mercado onde a maior parte dos concorrentes ainda vende a promessa de substituir o time de vendas.
Fonte: informações repassadas pelo Chattie.



