A startup nascida em São José dos Campos como Guichê Virtual agora integra a Terra Mobility, grupo com sede em Montreal que captou US$ 40 milhões, cerca de R$ 200 milhões, para investir em software, inteligência artificial e novas aquisições.
A Buson, plataforma brasileira de venda de passagens rodoviárias, passa a operar sob um novo guarda-chuva internacional. A empresa integra a recém-criada Terra Mobility, grupo sediado em Montreal, no Canadá, que reúne ainda a canadense Busbud, a chilena Recorrido e uma operação de software para empresas de transporte.
O grupo recebeu um financiamento de US$ 40 milhões da Vista Credit Partners. Os recursos serão usados para desenvolver produtos, ampliar o uso de inteligência artificial e avaliar novas aquisições.
Do guichê da rodoviária ao ChatGPT
A companhia nasceu há cerca de 13 anos em São José dos Campos, no interior paulista, criada por três engenheiros ligados ao ITA. O nome original era Guichê Virtual, plataforma que conectava passageiros às empresas de ônibus pela internet. Anos depois, o negócio adotou a marca Buson.
Ao longo da trajetória, a empresa afirma ter vendido mais de 100 milhões de passagens. Hoje, a plataforma recebe mais de 2 milhões de acessos mensais, trabalha com mais de 300 viações e oferece cerca de 140 mil rotas.
A distribuição deixou de se concentrar no site próprio. A Buson já vende por WhatsApp e passou a operar dentro do ChatGPT, à medida que a inteligência artificial muda a forma como as pessoas pesquisam e compram viagens.
"Hoje a gente consegue vender no ChatGPT, a gente vende hoje no WhatsApp", disse Jefferson Inacio de Castro, diretor da Buson no Brasil. "A gente entende que o inventário, as rotas, as poltronas disponíveis, têm que estar em todo lugar possível."
A aposta é virar infraestrutura das viações
A estratégia central do grupo, porém, vai além de colocar a passagem em mais canais. A Terra Mobility quer crescer vendendo tecnologia para as próprias empresas de transporte.
O movimento responde a uma mudança de mercado. Castro estima que cerca de 30% das passagens de ônibus no Brasil já sejam vendidas pela internet, com variação conforme região e perfil do passageiro. Ao mesmo tempo, as viações passaram a investir mais nos próprios sites e aplicativos.
"É de pouco tempo para cá que as empresas começaram a investir mais nos seus próprios canais de vendas", afirmou o executivo. "A gente vê que marketplace vai perder um pouquinho de valor porque as empresas vão investir mais."
Em vez de depender apenas da comissão sobre a venda ao consumidor, o grupo quer fornecer a infraestrutura usada pelas viações. Essa frente se concentra no TerraOS, plataforma que reúne emissão de bilhetes, gestão de inventário, distribuição, comércio eletrônico, gestão de receita e previsão de demanda.
A proposta é substituir sistemas legados, desenhados para uma operação em que a venda acontecia principalmente no guichê. Hoje, uma mesma viação precisa disponibilizar seus assentos simultaneamente no site próprio, em aplicativos, em marketplaces e em outros canais.
Fonte original: Exame — https://exame.com/negocios/de-startup-a-grupo-global-empresa-recebe-r-200-milhoes-e-vende-passagem-de-onibus-ate-pelo-chatgpt/



