A Brendi acaba de fisgar o fundo americano Propel Ventures, que aportou US$ 6,6 milhões na startup. Conhecida por já ter investido em nomes como Banco Neon e Nomad, a gestora topou encarar uma tese ambiciosa: colocar a novata brasileira para brigar com iFood, 99Food, Keeta e Rappi no delivery. A diferença de estratégia é o coração do negócio — enquanto as gigantes disputam a fidelização em seus próprios apps, a Brendi quer ganhar a corrida dentro das conversas de WhatsApp.
A ponte com a Propel Ventures foi construída por dois investidores-anjo da startup: Daniel Silva, fundador da Hyperplane (vendida ao Nubank), e Patrick Sigrist, um dos fundadores do iFood. Segundo Daniel Frageri, sócio-fundador da Brendi, a apresentação ajudou a companhia a chegar a bons termos na negociação. “Eles nos apresentaram para mostrar à Propel que temos potencial, e conseguimos bons termos”, afirmou o executivo.
A história da empresa tem origem na pandemia. Frageri deixou os estudos no ITA para ajudar os pais a tocar a padaria da família e, a partir dessa dor real de pequeno negócio, estruturou uma plataforma que permite ao restaurante vender direto pelo WhatsApp, sem depender exclusivamente das comissões dos marketplaces. Hoje, a solução usa um agente de inteligência artificial que atende o cliente, monta o pedido e processa o pagamento dentro do próprio aplicativo de mensagens.
Os números ajudam a sustentar a aposta dos investidores. A Brendi afirma reunir mais de 6 mil restaurantes ativos, ter processado mais de 20 milhões de pedidos e movimentado cerca de R$ 1 bilhão em vendas por meio da plataforma. A proposta central é dar ao restaurante um canal de venda próprio e de baixo custo de aquisição, reduzindo a dependência das taxas cobradas pelos grandes aplicativos de entrega.
Com o novo capital, a expectativa é acelerar o desenvolvimento da tecnologia de IA e ampliar a base de estabelecimentos que usam o WhatsApp como principal vitrine de vendas. O aporte também reforça uma leitura que vem ganhando força no ecossistema: a de que o comércio conversacional pode abrir uma frente competitiva paralela à dos aplicativos tradicionais de delivery, especialmente para pequenos e médios negócios que buscam margem e relacionamento direto com o consumidor.



