Levantamento inédito do Observatório Sebrae Startups mostra que Sudeste e Nordeste concentram 64% das empresas que vendem para o poder público, e que 57% das que já fecharam contratos de inovação faturam mais de R$ 4,8 milhões por ano.
O Observatório Sebrae Startups mapeou 3.664 empresas brasileiras que se autodeclaram B2G (business-to-government) ou afirmam ter o poder público entre seus clientes. O levantamento, divulgado nesta quinta-feira, 27, é o primeiro a dimensionar o ecossistema de GovTechs do país com esse nível de detalhe.
O recorte revela um mercado amplo, porém ainda imaturo. A maior parcela das empresas, 42,2%, está na fase de validação, quando testa a solução no mercado. Outras 24,9% estão em tração e 21,7% seguem na etapa de ideação. Apenas 9,3% chegaram ao crescimento estruturado e 2,4% à fase de escala.
Software domina a oferta
A tecnologia é o eixo central do ecossistema. Entre as 3.664 empresas, 49,1% apontam plataformas digitais como principal produto. Serviços aparecem em seguida, com 31,9%, e produtos físicos representam 10,2%. Conteúdo, hardware e outras soluções completam o quadro.
O modelo de assinatura recorrente (SaaS) é adotado por 46,7% das empresas. Vendas diretas respondem por 22,1%, licenciamento por 9,2% e modelos transacionais por 7,7%.
Onde estão as GovTechs
A distribuição geográfica mostra dois polos praticamente empatados. O Sudeste reúne 1.180 CNPJs, ou 32,2% do total, e o Nordeste concentra 1.168, equivalentes a 31,9%. Na sequência vêm Sul (17,9%), Centro-Oeste (10,1%) e Norte (7,7%).
São Paulo lidera entre os estados, com 685 empresas, ou 18,7% do total. Pernambuco aparece em segundo, com 276, seguido por Santa Catarina, com 271. Minas Gerais e Rio Grande do Sul somam 231 e 229, respectivamente.
No ranking de municípios, a capital paulista concentra 319 CNPJs. Recife vem em segundo, com 148, e Florianópolis em terceiro, com 119. Rio de Janeiro e Brasília fecham as cinco primeiras posições, com 102 e 100.
O funil dos contratos de inovação
Uma análise complementar, feita em parceria com o Observatório do CPSI (Contrato Público de Soluções Inovadoras), identificou apenas 223 empresas que participaram de processos desse tipo — e o perfil delas é bem diferente da média.
Entre essas companhias, 57% registram faturamento anual superior a R$ 4,8 milhões. Em tempo de operação, 39% têm mais de uma década de existência e 37,2% estão no mercado entre cinco e dez anos. Só 6,3% foram fundadas há menos de dois anos.
A predominância de software também é maior nesse grupo: 66,7% desenvolvem principalmente plataformas digitais. A média é de 3,4 sócios por empresa, com atuação em cerca de nove segmentos diferentes.
A concentração geográfica se acentua. São Paulo reúne 63 dessas empresas, seguido pelo Rio de Janeiro, com 50, Minas Gerais, com 22, e Pernambuco, com 17.
Barreiras e oportunidade
O Observatório do CPSI identificou 59 órgãos e entidades públicas que lançaram editais nesse formato. Desses, 44 efetivamente celebraram contratos com fornecedores.
"O setor público brasileiro movimenta bilhões de reais em compras todos os anos e enfrenta uma demanda crescente por soluções tecnológicas. Isso abre uma oportunidade relevante para as GovTechs", afirma Paulo Renato Cabral, gerente de Inovação do Sebrae Nacional.
Segundo ele, o CPSI muda a lógica de contratação do Estado. "Em vez de adquirir soluções prontas, o poder público testa e desenvolve soluções customizadas para desafios específicos", diz. O modelo, avalia, ainda está em consolidação.
Fonte original: Exame



