A gestora chegou a R$ 608,5 milhões sob gestão e 455 empresas investidas diretamente no Brasil, apostando em pulverização setorial em vez de concentração na tese da vez.
O venture capital brasileiro voltou a ganhar tração. Depois de movimentar US$ 4,126 bilhões em 2025, alta de 13,8% sobre o ano anterior, o mercado manteve o ritmo em 2026. Só no segundo trimestre, startups brasileiras captaram US$ 350 milhões, avanço de 20% na comparação com os três primeiros meses do ano.
É nesse cenário que a Bossa Invest atingiu R$ 608,5 milhões sob gestão, com 455 empresas investidas diretamente no país. A marca chama atenção menos pelo volume e mais pelo método: a gestora distribuiu o portfólio por 42 verticais diferentes, entre fintechs, edtechs, agtechs, logística e HRtechs.
A lógica é a de que setores não crescem no mesmo ritmo nem ao mesmo tempo. Ao ampliar o número de teses, a gestora busca reduzir a dependência de uma única tendência e aumentar as chances de capturar ciclos distintos de crescimento — algo relevante em uma classe de ativo na qual poucos investimentos costumam responder por boa parte do retorno.
"Quanto maior a diversidade de uma carteira, maior é a capacidade de acessar diferentes movimentos de crescimento da economia. Existem setores que avançam mais rapidamente em determinados ciclos e outros que ganham força em momentos distintos", afirma Antonio Patrus, diretor da Bossa Invest.
De escolher setores a escolher empresas
A estratégia acompanha uma mudança na forma como investidores analisam startups. No lugar de perseguir o setor da moda, entram na conta a capacidade de execução do time, o tamanho do mercado endereçável, a eficiência do modelo de negócio, o potencial de expansão e a perspectiva de crescimento sustentável.
Ter centenas de empresas no portfólio também funciona como um radar. Serviços financeiros, educação, agronegócio, logística, gestão de pessoas e consumo estão entre os mercados nos quais a gestora acompanha companhias tentando digitalizar processos, cortar ineficiências ou criar modelos inéditos.
A amplitude permite observar quais demandas estão surgindo, quais soluções encontram espaço para escalar e onde podem aparecer as próximas oportunidades.
"O investimento em startups não deve ser visto como uma tentativa de prever qual será o próximo setor vencedor, mas como uma estratégia de exposição a diferentes transformações estruturais da economia", diz Patrus.
Para o executivo, porém, volume de oportunidades e capacidade de seleção precisam caminhar juntos. "O objetivo é identificar empresas bem posicionadas, com mercados relevantes e capacidade real de crescimento, e construir uma carteira que consiga capturar valor em diferentes ciclos", afirma.
Fonte original: Exame INSIGHT



