O venture capital global voltou a operar em níveis próximos aos maiores ciclos da indústria, mas a retomada do volume de recursos veio acompanhada de uma seleção mais rigorosa sobre onde o dinheiro é colocado.
No 1º semestre de 2026, os investimentos chegaram a US$ 560 bilhões, maior volume registrado em 5 anos e atrás apenas de 2021. Só no 2º trimestre foram US$ 227 bilhões, enquanto parte relevante desse capital ficou concentrada nas maiores operações. Na América Latina, o movimento segue a mesma direção.
Entre 2023 e 2025, os follow-ons representaram 50% dos cheques de early stage, sinal de que investidores passaram a direcionar uma parcela maior dos recursos para empresas que já receberam capital e demonstraram capacidade de avançar para novas rodadas.
O resultado é um mercado com mais dinheiro disponível, porém menos pulverizado, no qual ganha importância a capacidade de acompanhar startups por diferentes estágios de crescimento. É nesse ambiente de maior concentração e disputa por ativos que a Bossa Invest prepara uma mudança em seu comando, com nova gestão a partir de 1º de setembro. Quem assume o cargo de CEO é Antonio Patrus, após 10 anos dentro da empresa, 7 deles à frente das áreas financeira e de operações.
A mudança abre uma nova etapa para a Bossa, que hoje possui cerca de R$ 600 milhões sob gestão e projeta alcançar R$ 1 bilhão até o final de 2026, o equivalente a adicionar aproximadamente R$ 400 milhões à base e crescer cerca de 67%.
Depois de um ciclo de 3 anos mais concentrado na estruturação da operação, a nova presidência passa a dar maior peso à captação, ao relacionamento com investidores, à originação de negócios e à aproximação com os empreendedores.
"O conselho acompanhou de perto a trajetória do Patrus nesses 10 anos e via nele a combinação exata que a Bossa precisava para esse momento: profundo conhecimento da operação e alinhamento total com a disciplina que construímos. Essa é uma sucessão pensada, não improvisada, e reflete a maturidade que a Bossa alcançou como instituição," diz Eduardo Dominicale, presidente do conselho da Bossa Invest.
João Kepler, fundador, conselheiro e CVO da Bossa, permanece diretamente ligado à estratégia de expansão e deverá atuar ao lado de Patrus nessa nova fase. "Construir a Bossa foi a realização de um sonho, e vê-la ser conduzida por alguém que cresceu junto com a empresa é o melhor desfecho que eu poderia desejar.
Patrus conhece cada detalhe da nossa operação e carrega o mesmo compromisso que nos moveu desde o 1º dia: democratizar o acesso a capital e apoiar os empreendedores que transformam o Brasil. Tenho total confiança de que ele levará a Bossa Invest a um novo patamar", diz João Kepler, fundador, conselheiro e CVO da gestora.
A estratégia de Patrus passa justamente por levar para fora da operação interna uma estrutura que, segundo a companhia, já funciona com processos e governança definidos.
Uma das 1ª iniciativas será a criação de um Comitê de Co-investidores, aproximando essa base das teses de investimento e das startups do portfólio, em um momento em que o venture capital está mais concentrado e o acesso às rodadas seguintes se tornou uma variável relevante para o crescimento das empresas.
A Bossa já reúne mais de 10 mil co-investidores, ultrapassou 100 vendas bem-sucedidas de participações e chegou à marca de 1.800 startups investidas, e pretende usar essa rede para ampliar a originação de oportunidades e a conexão das investidas com capital no Brasil e no exterior.
A nova gestão também prevê intensificar a aplicação de inteligência artificial nos processos da gestora, desde etapas operacionais até análise e acompanhamento dos investimentos, buscando aumentar capacidade de execução sem desmontar os controles introduzidos durante o ciclo anterior.
"Depois de 10 anos participando da construção de tudo o que a Bossa se tornou, assumir a gestão é a realização de um propósito que sempre me moveu: democratizar o acesso a capital para os empreendedores de maior potencial do país. Estou animado com o que vem pela frente, uma gestão mais próxima do ecossistema, com os co-investidores dentro das nossas decisões e a tecnologia acelerando cada passo ", diz Patrus.
A mudança no comando também reorganiza as frentes de atuação da Bossa. Paulo Tomazela, que encerra em agosto o ciclo de 3 anos previsto para sua presidência, permanece no grupo e passa a atuar como CIO da Bossa Gest, unidade dedicada a fundos e investimentos em companhias com necessidades maiores de capital.
Com isso, Patrus concentra a liderança da Bossa Invest e a estratégia de expansão da operação, enquanto a companhia amplia sua capacidade de acompanhar startups em diferentes estágios, dos primeiros aportes às rodadas de crescimento.
A divisão também permite que a nova presidência avance sobre captação, relacionamento com investidores e originação de novos negócios sem alterar a estrutura construída nos últimos anos.



