A Blis AI nasceu para resolver um gargalo antigo das agências de viagem: o custo do atendimento humano. Em uma agência grande, até 500 pessoas respondem telefonemas e e-mails para tarefas repetitivas, como remarcar ou cancelar voos. Cada atendente custa entre R$ 5 mil e R$ 8 mil por mês e dá conta de 300 a 500 solicitações. A startup ataca justamente esse ponto.
O produto é um agente de IA que conversa com o viajante pelo WhatsApp, e-mail ou por um chat próprio da agência. Diferentemente de soluções genéricas, ele se conecta às APIs de companhias aéreas, hotéis e locadoras, além dos sistemas de back-office. Com isso, o agente não apenas responde, mas executa: vende a passagem, marca assento, adiciona bagagem, cancela e remarca — sem intervenção humana.
O cliente da Blis não é o passageiro, e sim a agência. O modelo é de assinatura: cada agente custa cerca de R$ 6 mil por mês e é limitado a 1.500 atendimentos, volume equivalente ao de três a cinco atendentes humanos pelo preço de um.
Fundada por Rafael Cohen, Rodrigo Cioffi e Luiz Antunes, a empresa tem apenas cinco meses de mercado. Foi lançada em fevereiro, depois de um período de testes gratuitos com agências parceiras. A receita recorrente anual já está em R$ 2,5 milhões e a lista de espera chegou a 160 agências.
Para treinar o sistema, os fundadores entrevistaram viajantes, atendentes e donos de agência e analisaram mais de 200 mil solicitações reais cedidas por parceiros. Ainda assim, dizem, o aprendizado é contínuo: o time sobe de 20 a 30 atualizações por semana, alimentadas pela equipe de linha de frente. Há limites claros — incluir um pet numa viagem, por exemplo, ainda exige contato telefônico com a companhia aérea.
O plano para os próximos meses é avançar sobre agências de lazer pequenas e médias, que ficaram de fora do produto original, desenhado para o segmento corporativo. A parceria com a Flytour, uma das maiores franquias de viagens corporativas do país, deve ajudar a startup a chegar a outros estados e à América Latina. A meta é fechar o ano com pelo menos 150 clientes com todos os serviços implantados.
Para a Blis, o concorrente real não é outra IA, e sim as traveltechs que, desde 2018, vêm tirando clientes das agências tradicionais com a promessa de tecnologia. A aposta da startup é oferecer a mesma eficiência tecnológica sem abrir mão do atendimento que as agências sabem prestar.
Fonte original: Exame — https://exame.com/negocios/aos-19-eles-faziam-dinheiro-cortando-cabelo-na-pandemia-agora-vao-faturar-r-12-milhoes-em-viagens/



