A biotech fundada por cientistas da USP levantou R$ 8,4 milhões, dos quais R$ 7,2 milhões vieram do fundo da aceleradora Axcell. A rodada segue aberta e o caixa deve sustentar três anos de operação.
Crédito: esta reportagem tem como base matéria publicada originalmente pela Bloomberg Línea. Leia o texto original em bloomberglinea.com.br.
De acordo com a Bloomberg Línea, a BioLinker, biotech brasileira especializada em proteínas recombinantes, captou R$ 8,4 milhões para ampliar sua estrutura de pesquisa e produção. A informação foi publicada na coluna semanal de rodadas do veículo.
A maior parte do valor, R$ 7,2 milhões, saiu do fundo da Axcell, aceleradora com foco na Amazônia e financiada por empresas instaladas na Zona Franca de Manaus. O restante veio do programa PIPE Fase 2, da Fapesp.
Quem é a BioLinker
Criada em 2018 por cientistas da Universidade de São Paulo, a startup atua na descoberta, no desenvolvimento e na fabricação de proteínas recombinantes.
A empresa já tem receita recorrente e conta com 12 funcionários. Mantém uma filial em Manaus, incubada no Centro de Bionegócios da Amazônia.
O Google está entre os investidores desde o início de 2025, quando fez um aporte de valor não revelado.
Para onde vai o dinheiro
O principal destino dos recursos é a montagem de um laboratório automatizado em Manaus, equipado com robôs importados.
A captação também vai financiar o treinamento de modelos de inteligência artificial e a expansão da produção de DNA no Brasil.
Com o novo fôlego, a BioLinker pretende dobrar a equipe, de 12 para 24 pessoas, nos próximos meses. A expectativa é que o capital cubra três anos de operação.
A rodada permanece aberta, o que permite a entrada de novos investidores.
Deep tech em um trimestre fraco
O aporte chega em um momento de retração do capital de risco no país. Dados da Sling Hub citados pela Bloomberg Línea mostram que as startups brasileiras captaram US$ 629 milhões no terceiro trimestre de 2026, queda de 50% na comparação anual.
Na contramão, as startups de inteligência artificial da América Latina levantaram US$ 632 milhões em 52 rodadas no período, alta de 49% em um ano.
A operação da BioLinker também chama atenção pela combinação de fontes: capital de uma aceleradora regional ligada à Zona Franca e fomento público paulista, sem depender apenas de fundos tradicionais de venture capital.
Com o laboratório em Manaus, a startup reforça a presença na Amazônia e passa a ter na região uma base de automação para acelerar o desenvolvimento de novas proteínas.
Fonte original: Bloomberg Línea — "Rodadas da semana: investimentos em startups da América Latina caem 36% no 3º tri"



