Sob o comando de Claudia Woods, ex-CEO da WeWork América Latina e atual presidente da BAT Latam South, a iniciativa faz parte do plano da companhia de acelerar a diversificação para além do tabaco. A meta da multinacional é que, até 2035, mais de 50% da receita global venha de novos negócios.
O BTomorrow Ventures foi lançado em 2020 e já aportou R$ 1,1 bilhão em 31 startups ao redor do mundo. O foco de investimento concentra-se em bens de consumo — com destaque para alimentos e bebidas funcionais — e em tecnologia para o varejo. Entre as investidas, estão a americana More Labs, a canadense Awake Chocolate e a brasileira Mais Mu, de snacks e suplementos saudáveis. No segmento de tecnologia, o fundo já passou pela logtech paulista Uello, vendida para as Lojas Renner em 2022.
A executiva afirmou que a aposta no Brasil combina tamanho de mercado com a maturidade do ecossistema local. "Existe uma junção de dois fatores críticos para esse olhar ao Brasil. O primeiro é o mercado brasileiro, que tem tamanho e potencial de escala. O segundo é um ecossistema de inovação maduro, com empreendedores que já criaram essa casca de inovação, e que possui estabilidade, mas com escassez de capital", afirmou Claudia.
Para estruturar a relação com as investidas, a BAT desenvolveu uma metodologia chamada TFactor, criada em parceria com os próprios empreendedores. O modelo organiza o conjunto de capacidades que a companhia pode oferecer além do cheque, como acesso a uma malha de 250 mil pontos de venda, capacidade de manufatura, logística e mais de 120 anos de expertise em distribuição e marketing de consumo em massa.
O efeito da parceria já apareceu no caso da Mais Mu. Depois do aporte do BTV, a startup brasileira saltou de 6 mil para mais de 40 mil pontos de venda em apenas 18 meses, apoiada pela rede de distribuição da BAT. A executiva destacou ainda que o Brasil pode funcionar como trampolim para a expansão internacional das investidas, aproveitando o footprint global da companhia em mais de 140 países.
Internamente, o hub também tem função de transformação cultural. A BAT abriu o espaço para que funcionários, líderes e especialistas da casa participem do ecossistema, colocando o conhecimento interno à disposição das startups. "O core dessa transformação é garantir que se dê prioridade e velocidade para o shift para além do tabaco. O hub é o principal enabler para que isso aconteça", concluiu Claudia.



