Isola construiu sua primeira empresa quase por acaso. Arquiteto de formação, começou destilando gim na cozinha de casa, no Rio de Janeiro, até transformar a receita na Amazzoni Gin, lançada comercialmente em 2017. Em 2021, a marca — que faturava R$ 12 milhões por ano — foi comprada pela multinacional Pernod Ricard por um valor não divulgado. Ele permaneceu três anos como consultor externo, dedicado à expansão internacional.
Agora, aos 53 anos, o empreendedor troca o destilado de nicho por uma categoria de consumo de massa. A Bamba entra no mercado com três sabores — cola, guaraná e açaí — e um posicionamento funcional: cada lata tem 3 gramas de fibra prebiótica solúvel, vitamina C, zero sódio, 24 calorias e 6 gramas de açúcar proveniente da fruta, sem adição de açúcar. A versão de cola, feita com capim-limão e gengibre, não leva cafeína.
A empresa estima faturar R$ 2 milhões nos primeiros seis meses e alcançar R$ 23 milhões em 2027, seu primeiro ano completo de operação — mais de 11 vezes a receita esperada para o semestre inicial. Para reduzir risco e concentrar capital em produto, marca e distribuição, a produção é terceirizada, e a estrutura reúne 15 profissionais entre funcionários e prestadores.
Desta vez, Isola decidiu não empreender sozinho. Entre os sócios-investidores está Edoardo Tonolli, um dos fundadores da rede de gelaterias Bacio di Latte, que participa como investidor estratégico. A empresa também reuniu sócios com experiência em varejo, distribuição, finanças e tecnologia.
O timing tenta acompanhar uma tendência global. No Brasil, o mercado de bebidas funcionais movimentou pouco mais de R$ 1 bilhão em 2025, segundo a Euromonitor, e a estimativa é que o setor global avance de US$ 143 bilhões para US$ 238 bilhões até 2033. Nos Estados Unidos, marcas como Poppi e Olipop popularizaram os refrigerantes prebióticos — a Poppi foi comprada pela PepsiCo por US$ 1,95 bilhão em 2025, movimento que atraiu também a Coca-Cola e, no Brasil, a Ambev.
Justamente por isso, o desafio é grande. A Bamba disputa espaço com gigantes de escala industrial e distribuição nacional. A estratégia inicial é evitar o confronto direto no varejo tradicional e começar pelo e-commerce, marketplaces e estabelecimentos ligados ao universo de bem-estar, como cafeterias, restaurantes, academias e hotéis, com equipes em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.
Isola chama a empreitada de sua "segunda montanha". Na primeira, aprendeu a administrar uma empresa enquanto uma categoria emergia. Agora, começa com capital, sócios e experiência — mas em um mercado muito maior e mais competitivo.
Fonte original: Exame — https://exame.com/negocios/apos-vender-marca-para-gigante-francesa-este-italiano-fara-milhoes-com-refri-saudavel-no-brasil/



