A startup que transforma metas comerciais em missões e prêmios para vendedores dobrou de tamanho em 2026: a receita recorrente anual saiu de pouco mais de R$ 3 milhões no fim de 2025 para mais de R$ 7 milhões até agosto. Entre os 80 clientes estão Carrefour, Adidas, iFood, Mondelēz, Ferrero e Cielo.
A Applause captou R$ 10 milhões em rodada liderada pela Primus Ventures para acelerar a expansão no Brasil e no exterior. A startup opera uma plataforma que converte metas comerciais em missões, rankings e recompensas para equipes de vendas.
Criada em 2020, a empresa reúne hoje 80 clientes e 80 mil usuários ativos. Entre as contas estão Carrefour, Adidas, iFood, Mondelēz, Ferrero e Cielo. A receita recorrente anual ultrapassou R$ 7 milhões até agosto de 2026, contra pouco mais de R$ 3 milhões no fim de 2025. A meta é chegar a cerca de R$ 20 milhões até o fim de 2027 e então preparar uma série A.
Participaram da rodada os fundadores da MadeiraMadeira e investidores americanos. Parte deles já era cliente da plataforma antes de aportar recursos.
"Nosso objetivo é pegar os hábitos dos melhores vendedores e colocar isso na mão de todo o time. A ideia é que não sejam apenas 10% das pessoas de uma empresa performando acima da média, mas que o restante também consiga melhorar", afirma Eduardo Rodrigues, cofundador e CEO.
Do turismo ao SaaS
A trajetória da companhia passou por dois pivôs. Rodrigues começou a empreender aos 18 anos organizando viagens para surfistas no litoral do Paraná e depois montou uma empresa de casamentos de brasileiros no Caribe, que faturou cerca de R$ 50 milhões em 2019, com aproximadamente 150 eventos por ano em 20 países.
Durante a pandemia, ele criou uma plataforma de benefícios e experiências para funcionários — no início, um programa de férias gamificado vendido para RH. Em 2021, Raul Macedo entrou como sócio para liderar produto e tecnologia. Designer de formação, ele havia fundado a Mentores Digital, especializada em UX e desenvolvimento de produtos digitais.
A virada decisiva veio em 2024, quando a empresa abandonou o modelo de marketplace de benefícios e passou a operar como SaaS voltado a times comerciais. "A grande mudança foi entender que o incentivo poderia estar ligado diretamente à produtividade dos times de vendas", diz Macedo.
Missões em vez de campanhas
A lógica do produto difere dos programas tradicionais de incentivo, que concentram a recompensa em uma campanha pontual. Na Applause, a empresa cria missões ao longo do processo de venda — vender determinado produto, oferecer garantia estendida, visitar um cliente ou concluir uma etapa de treinamento. Cada ação gera pontos trocáveis por produtos e experiências em um marketplace próprio.
"Normalmente o ranking premia aquele vendedor que já é fora da curva. O que queremos é incentivar os comportamentos que levam ao resultado, para que mais pessoas consigam melhorar", afirma Macedo.
Para a indústria, a plataforma usa inteligência artificial para analisar fotos enviadas por promotores e verificar posicionamento na gôndola, precificação e material de divulgação. "A partir de uma foto, a gente consegue transformar uma execução no ponto de venda em dado para a indústria", diz o cofundador.
O principal case citado pela startup é a MadeiraMadeira, que começou em algumas lojas e estendeu o uso a toda a rede. Segundo a companhia, a implementação gerou ROI de 1.200%, alta de 8% no ticket médio de produtos próprios, crescimento de 124% nas vendas de garantia estendida e adesão de 98% dos colaboradores. Outro caso é o Grupo Rojemac, com cerca de 400 representantes comerciais.
Fonte original: Exame



