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    Aistra leva IA para o back-office do audiovisual e já roda na França e em Luxemburgo

    A startup fundada por Nelson Born, sócio da premiada Osllo, transformou a metodologia de gestão da própria produtora em software por assinatura e mira as mais de 12 mil produtoras registradas no Brasil — um setor que injeta cerca de R$ 70,2 bilhões no PIB, mas ainda opera no back-office à base de planilhas.

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    Redação

    7 de setembro de 20263 min de leitura
    Aistra leva IA para o back-office do audiovisual e já roda na França e em Luxemburgo

    O audiovisual brasileiro movimenta cerca de R$ 70,2 bilhões no PIB e registrou mais de 3 mil obras na Ancine no último ano, alta de 4%. O contraste está no bastidor: boa parte das mais de 12 mil produtoras do país ainda administra orçamento, contrato e cronograma em planilha e processo manual. É nessa lacuna que a Aistra acaba de ser lançada.

    A startup é uma plataforma de inteligência artificial voltada 100% à operação administrativa de projetos audiovisuais. Foi criada por Nelson Born, 28, sócio-fundador da Osllo, produtora que em uma década assinou projetos para marcas como TikTok, Rock in Rio, Adidas e Ambev. O lançamento marca uma virada no modelo de negócio da casa, que passa a vender software por assinatura (SaaS) além de prestar serviço criativo.

    "O mercado audiovisual é extremamente inspiracional, mas sofre muito com a gestão. Eu sempre olhei para a nossa produtora com uma cabeça estatística e processual, e a Aistra é a tangibilização dessa lógica em software", diz Born. "Nós criamos a IA para ser aquele braço de operações que toda produtora precisa, mas não sabe como começar a estruturar ou contratar."

    Enquanto o ecossistema de inovação concentra atenção nas IAs generativas de vídeo e imagem, a Aistra vai na direção oposta e aposta em eficiência operacional.

    Operação por áudio no WhatsApp

    A plataforma foi desenhada para agir sem exigir que o usuário abra um painel. Do set de filmagem, o profissional envia um áudio no WhatsApp — "adicione R$ 500 ao custo de transporte do projeto X" — e a IA atualiza o financeiro. O sistema também cruza dados por conta própria e dispara alertas, como previsão de chuva para uma diária de gravação externa.

    Outro foco é o gargalo tributário. A ferramenta mapeia cálculos errados de impostos em orçamentos, distorção que pode consumir dezenas de milhares de reais na margem de grandes campanhas. Segundo a empresa, o retorno sobre o investimento costuma se pagar já no primeiro dia de uso.

    A proposta é de infraestrutura pronta, sem configuração de prompt ou construção de fluxo em ferramentas genéricas. Inseridas as informações do cliente, o software gera propostas comerciais, contratos, briefings, roteiros e ordens do dia automaticamente.

    Adequação à LGPD e primeiros clientes fora do Brasil

    A plataforma está adequada à Lei Geral de Proteção de Dados e passou por revisão de infraestrutura de cibersegurança. Recém-lançada, já opera em produtoras instaladas na França e em Luxemburgo.

    O próximo passo, segundo o fundador, é educar o mercado e escalar a base de assinantes. "Quando o cineasta tem a burocracia, os contratos e as finanças resolvidos com precisão pela inteligência artificial, ele finalmente recupera o tempo para focar na arte e no crescimento do negócio."

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