A healthtech brasileira AI Pathology fechou parceria com o Grupo Sabin para levar o Nevo, sua inteligência artificial de triagem de lesões de pele, ao varejo de diagnóstico. O serviço estreia em Brasília com avaliação de até cinco lesões por atendimento e teleconsulta automática com dermatologista sempre que a IA identifica um achado suspeito.
Fundada em 2023 por Willian Boelcke, cirurgião-dentista com quase uma década de pesquisa em oncologia, e pelo médico Lucas Lacerda, responsável pela frente de inteligência artificial, a AI Pathology nasceu de uma motivação pessoal. Boelcke perdeu o pai para um câncer de pele aos 16 anos e passou os anos seguintes tentando entender por que a doença ainda mata no Brasil apesar de altas taxas de cura quando detectada cedo.
A conclusão foi que o gargalo não estava só na leitura da imagem, mas no acesso. O Nevo foi desenhado para encurtar esse caminho: uma equipe treinada vai até o endereço do cliente e captura as imagens com um smartphone equipado com lente de magnificação e iluminação por luz polarizada, recurso que revela estruturas da pele invisíveis a olho nu.
As imagens são processadas pela IA e, quando há sinal de alerta, o sistema aciona automaticamente uma teleconsulta com dermatologista. A empresa adaptou modelos já validados na Nova Zelândia e na Austrália, referências mundiais em teledermatologia, à realidade brasileira. Do conceito ao primeiro modelo funcional foram cerca de doze meses de trabalho.
Do interior de Goiás para o varejo de diagnóstico
Antes do acordo com o Sabin, o Nevo já havia sido testado com trabalhadores rurais no interior de Goiás e com colaboradores de grandes empresas. A parceria marca a entrada da AI Pathology em um canal novo, o varejo de diagnóstico de alto volume, com escala muito superior à dos pilotos anteriores.
A tecnologia rendeu à startup o Social Impact Fellowship Fund do Harvard Innovation Labs, em 2024, além de reconhecimento no Health Systems Innovation Hackathon, da mesma universidade, e passagem por um programa de incubação no InovaHC, da Faculdade de Medicina da USP.
Para Rafael Jácomo, médico e diretor técnico do Grupo Sabin, o Nevo se encaixa em um portfólio de testes digitais que o laboratório começou a montar há cerca de um ano. O primeiro deles foi o Biologix, desenvolvido por uma startup investida do grupo por meio do fundo de venture capital Kórtex.
Triagem, não diagnóstico
Tanto o Sabin quanto a AI Pathology reforçam o limite da ferramenta. Todas as análises passam por um dermatologista, que define a orientação final. "O Nevo é triagem, não diagnóstico. Quem diagnostica câncer de pele é o médico, com laudo e exame histopatológico", afirma Boelcke.
O limite de cinco lesões por atendimento é uma escolha metodológica, segundo o CEO, para permitir comparação de resultados entre operações, regiões e versões do modelo durante a fase de validação. Casos que exigem mais imagens já foram identificados em campo e devem ser contemplados em versões futuras.
Brasília foi escolhida por concentrar a sede do Grupo Sabin e a maior base individual de clientes, o que acelera ajustes no modelo de negócio. Não há meta pública de expansão: o laboratório afirma que só levará o serviço a outras praças depois de resolver os atritos do ciclo inicial.
Fonte original: Exame



