O anúncio foi feito na quinta-feira (02) em nota enviada a clientes e parceiros pelos cofundadores Guilherme Nazareth, João Jonk e Felipe Araújo. A decisão encerra uma trajetória de seis anos no mercado de e-commerce alimentar — setor que já viu nomes como Justo e Mercado Diferente fecharem as portas nos últimos anos.
"Nos esforçamos muito para isso, mas não encontramos os parceiros e os termos necessários para seguir em frente. Sem os recursos necessários para continuar, a decisão responsável foi encerrar por aqui", destacaram os sócios no comunicado.
A Trela carregava no cap table investidores de peso. Em 2021, a startup levantou R$ 16 milhões em uma rodada seed liderada pela Kaszek e General Catalyst. Um ano depois, ainda no embalo da demanda acelerada pela pandemia, captou mais US$ 25 milhões com o SoftBank.
Nos últimos meses, a empresa havia adotado uma estratégia agressiva para sobreviver em um mercado cada vez mais competitivo. Rompeu com o modelo de varejo baseado em estoque parado e montou um centro de distribuição próprio na Lapa, em São Paulo, operando com entregas just in time e reposições programadas em parceria com fornecedores.
O encerramento acontece em meio a uma reestruturação profunda no setor de delivery no Brasil, marcada pela entrada de novos concorrentes como 99Food e Keeta — braço de entregas da Bytedance — que buscam desafiar o domínio do iFood. Paralelamente, a Shopper, investida do próprio iFood, ganhou fôlego para competir no segmento de supermercado online.
A relação com a Shopper, aliás, gerou atrito. Em julho do ano passado, a Trela protocolou denúncia no Ministério Público de São Paulo acusando a concorrente de práticas anticoncorrenciais, alegando que a empresa firmava contratos de exclusividade com fornecedores. O processo, no entanto, foi arquivado em janeiro deste ano por falta de elementos suficientes.
Apesar do desfecho, os fundadores encerraram a nota com um balanço positivo da jornada. A startup atendeu mais de 100 mil clientes ao longo de sua existência. Os canais de suporte permanecerão ativos até 30 de abril, e a empresa garantiu que todos os compromissos financeiros serão honrados integralmente.
O caso da Trela reforça o cenário desafiador para startups de delivery e e-commerce alimentar no Brasil pós-pandemia, onde a combinação de juros elevados, retorno dos consumidores ao varejo físico e concorrência acirrada tem tornado a captação de recursos cada vez mais difícil para empresas sem caminho claro para a rentabilidade.
Fonte original: Startups — https://startups.com.br/negocios/food-delivery/trela-anuncia-fim-das-suas-atividades/



