A história da NeuralMed é um caso clássico de startup que precisou se reinventar para sobreviver. Fundada como uma empresa de algoritmos de inteligência artificial para análise de exames médicos, a companhia enfrentou um momento crítico em meados de 2025: tinha menos de R$ 100 mil em receita mensal e apenas oito clientes. O ciclo de vendas chegava a ultrapassar 180 dias, e a proposta de valor não estava conectada à realidade do mercado hospitalar brasileiro.
Foi nesse cenário que os cofundadores Anthony Eigier e André Castilla decidiram pivotar. Trouxeram Mariana Gaspers, ex-executiva de Twilio e Hilab, como cofundadora e redesenharam a empresa de ponta a ponta. O resultado foi o nascimento da "level", uma plataforma de IA voltada para a operação hospitalar com foco em eficiência e redução de custos assistenciais.
A mudança não foi apenas cosmética. A level reestruturou sua oferta comercial em dois pacotes — Light e Full — que simplificaram a adoção pelos hospitais. O ciclo de vendas, que antes levava mais de seis meses, caiu para algo entre 30 e 60 dias. Em menos de um ano, a startup saltou de 8 para 36 clientes ativos, alcançou R$ 5 milhões em receita recorrente anual e já tem R$ 10 milhões em contratos firmados para 2026.
Entre os clientes estão nomes de peso da saúde no sul do Brasil, como os hospitais Moinhos de Vento, Mãe de Deus e Santa Casa de Porto Alegre. A level também avançou no mercado farmacêutico, fechando contratos com a uruguaia Adium e uma empresa europeia cujo nome ainda não foi divulgado.
Do lado financeiro, a startup captou US$ 7,7 milhões em uma rodada que reuniu investidores como Notre Dame Intermédica, BID Lab, Kortex Ventures e GK Ventures — um sinal de confiança do mercado na nova tese.
A tecnologia da level utiliza algoritmos de inteligência artificial capazes de analisar dados clínicos até 350 vezes mais rápido do que profissionais humanos. A proposta é ajudar hospitais a tomar decisões mais ágeis e embasadas, reduzindo desperdícios e melhorando desfechos para pacientes.
O caso da level ilustra uma tendência crescente no ecossistema brasileiro: healthtechs que encontram escala não pela sofisticação da tecnologia em si, mas pela capacidade de traduzir inovação em valor operacional para um setor historicamente resistente à digitalização.
Fonte original: NeoFeed — https://neofeed.com.br/startups/neuralmed-renova-pitch-e-renasce-com-novo-nome/



