A virada parte do próprio cofundador e CEO, Eduardo Vieira, que, depois de uma temporada no Vale do Silício, concluiu que precisava agir para manter a empresa relevante. "Se a gente não mudasse para algo além de uma agência, nosso negócio poderia morrer", afirmou o executivo, em conversa com o Startups.
A resposta foi puxar a tecnologia para dentro de casa. A Monking internalizou a Treehouz, startup de conteúdo com IA generativa na qual já havia investido, e reorganizou a operação em torno de três pilares: marketing, vídeo — hoje 90% dos projetos vendidos — e tech. A ideia não é virar uma empresa de software, mas embutir a IA no serviço. "As próximas grandes empresas serão aquelas de software disfarçadas de serviço", diz Vieira, citando um estudo recente da Sequoia.
O primeiro produto dessa estratégia é o MonkOS. Com o uso de agentes, a empresa reinventou o papel do tradicional gestor de contas, que passa a coordenar um esquadrão de agentes de IA. "Em vez de vender o agente, eu vendo um squad de marketing completo, só que bem mais barato", explica o CEO. O ganho de eficiência aparece nos números: um catálogo de mil produtos, que levaria dez dias, saiu em seis horas.
A segunda aposta é o Monking Play, um estúdio autônomo de produção de vídeos e podcasts que roda sem operador. O usuário entra, escolhe os assentos pelo tablet, aperta play e a IA grava, corta e entrega o conteúdo pronto, 24 horas por dia. A inspiração, conta Vieira, veio de um passeio de carro autônomo no Vale do Silício. Para viabilizar a solução, a Monking uniu sua expertise em audiovisual à automação de equipamentos da Enjoy, startup do Cubo.
Já são dois estúdios em operação, com um terceiro em montagem e outros dois encaminhados. O modelo cobra uma implementação mais uma recorrência de tecnologia, armazenamento e manutenção. A meta é ambiciosa: chegar a 100 estúdios instalados até o fim de 2027, inclusive dentro de eventos e hubs de inovação, em um modelo de revenue share com os locais.
Com o novo posicionamento, a Monking também passou a ser procurada por concorrentes interessados em entender ou licenciar suas tecnologias, aproximando o negócio de uma consultoria. Em um dos casos, a empresa fechou um plano de três meses implementando IA sob medida para outra agência.
Por ora, a expansão roda em bootstrapping, sem investidor externo. Vieira admite que um aporte pode entrar na mesa caso surja um parceiro para acelerar o crescimento, mas afirma que a prioridade é a execução: "A gente quer 100 estúdios no ano que vem. Acho que isso vai ser muito mais rápido que investimento de alguém."


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