O evento aconteceu poucos dias após a Enter se tornar o primeiro unicórnio de inteligência artificial da América Latina, ao captar US$ 100 milhões em rodada Série B liderada pelo Founders Fund, com participação de Sequoia Capital, Kaszek e ONEVC. A legaltech brasileira, fundada em 2023, foi avaliada em US$ 1,2 bilhão.
No palco, Mateus Costa-Ribeiro, CEO e fundador da Enter, minimizou a marca alcançada. "Foram apenas cinco minutos de comemoração porque o objetivo não era ter o status. Tem muito unicórnio que não chegou em lugar nenhum. As empresas que realmente admiramos são empresas de capital aberto de longa data que entregam resultado", afirmou. Segundo ele, a ambição é tornar a Enter a terceira empresa de IA jurídica mais valiosa do mundo.
Hora certa de internacionalizar
O debate sobre internacionalização atravessou os painéis. Alejandro Vazquez, cofundador da Nuvemshop, sintetizou a tese: a expansão deve ser uma decisão de produto e maturidade, não um objetivo automático. "Quando decidimos ir para o exterior, já éramos número um no Brasil. Só então começamos a explorar México, Colômbia e Chile", disse.
A LiveMode, empresa por trás da CazéTV, em parceria com Casimiro Miguel, trouxe o ângulo do entretenimento. Com 40 a 50 milhões de usuários únicos por mês no Brasil e cobertura de Copa do Mundo, Olimpíadas e campeonatos nacionais, a companhia testou Portugal como primeiro mercado externo. "Lançamos em Portugal e estamos começando uma expansão global", explicou Edgar Diniz, CEO e fundador da LiveMode.
Já Sebastian Mejia, fundador da Tako, valorizou a execução interna em relação ao papel dos investidores. "Quando você está construindo uma empresa, ter bons parceiros é importante, mas no fim o trabalho do fundador e da equipe é o que constrói a companhia. Investidores são marginalmente úteis", afirmou.
O motorista e o passageiro
Ao lado de Gabriel Braga, CEO do Quinto Andar, Nicolas Szekasy, sócio e cofundador do Kaszek, falou sobre o papel do investidor no longo prazo. "Desde que passamos de empreendedores e operadores a investidores, ficou claro que nos posicionaremos no assento do passageiro. O volante fica nas mãos do fundador ou do CEO", disse.
IA como cérebro de decisões
Outro recado relevante veio do painel sobre inteligência artificial. Para Bruno Pierobon, CEO e fundador da NeoSpace, o diferencial competitivo da IA já não está apenas no modelo de linguagem, mas no uso do dado proprietário como insumo primário. "Não se trata de LLM. Trata-se de dados. O prompt desse modelo são as transações, a interação do cliente", afirmou.
A leitura é que empresas capazes de transformar dados operacionais em decisões comerciais automatizadas, em áreas como preço, limite, oferta e retenção, devem construir vantagens sustentáveis no novo ciclo de adoção de IA pelas corporações.
Fonte original: NeoFeed — https://neofeed.com.br/startups/no-itau-tech-o-unicornio-por-cinco-minutos-e-a-ambicao-das-startups-latinas-de-escalar-o-mundo/



